segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Como tudo começou

Olha não lembro bem como tudo começou, ou melhor, como eu descobri que curtia homens. Pode parecer estranho, mas realmente eu sempre fiquei imaginando como foi.
Lembro que sempre fui uma criança quieta, tímida e de poucos amigos. Fui criado por várias pessoas, passando por avós, tias e madrinha. Então percebi que tenho um pouco de cada pessoa com quem vivi.
Sempre tive os brinquedos de menino, carrinhos, bonecos e lembro que os carros eram os meus brinquedos favoritos e que eu passava horas brincando. Então, não foi influência dos brinquedinhos de criança.
Aos 7 anos, mais ou menos, tive uma experiência impactante para um menino... Fui molestado por um homem que prestava serviços ao meu avô. Tinha medo dele, medo de contar a minha mãe o que estava acontecendo por pensar que ele podia me fazer algum mal. Creio que isso durou por 1 ano até eu resolver contar o que acontecia comigo pra minha mãe, e isso foi um choque pra ela e pra mim, só que tudo ficou em segredo para toda a família.
Cresci acreditando que esse fato da minha infância “aflorou” em mim o meu lado homossexual e eu comecei a me sentir atraído pelos meninos da escola nos meados dos meus 13 anos. Só que no meu consciente, uma voz me dizia que isso era errado e que homem foi feito para a mulher e então meus namoros com as meninas começavam a surgir.
Todo aquele namorinho de colégio era pra esconder quem realmente eu era mesmo com as brincadeiras chatas dos meninos da sala. Essa minha vida durou por muito tempo até que resolvi entrar de cabeça nas atividades do cristianismo. O meu primeiro contato foi através da primeira comunhão, logo em seguida participei de grupos católicos chamados “vocacionados”, onde eu iria guiar minha vida para o celibato ou não. Fui também professor de catecismo para crianças e participei do grupo de liturgia. Lembrando que tudo isso era no meio católico e que ali eu me escondia do mundo “gay” e da minha aceitação.
Aos 16 anos (não lembro) conheci o protestantismo e resolvi seguir essa minha nova religião e com mesmo intuito de esconder por trás da religião a minha verdadeira sexualidade. Eu era como os meninos da minha idade, me divertia como um garoto hétero, jogava futebol, brincadeiras do mundo deles e tudo.
Mesmo me escondendo eu mantinha alguns contatos gays com “amigos” próximos, mas sempre no final caia o arrependimento e me massacrava por conta do “pecado” que eu cometia.

Então, foi aí que começou o meu dilema; “Sou gay ou não?”, “Sou pecador?”. Passei por coisas que me fizeram sofrer e só um especialista poderia me ajudar a “tratar” esse meu lado gay. A dor, o choro e a solidão começaram a surgir e eu fiquei sozinho por muito tempo...