Como tudo começou
Olha
não lembro bem como tudo começou, ou melhor, como eu descobri que curtia
homens. Pode parecer estranho, mas realmente eu sempre fiquei imaginando como
foi.
Lembro
que sempre fui uma criança quieta, tímida e de poucos amigos. Fui criado por
várias pessoas, passando por avós, tias e madrinha. Então percebi que tenho um
pouco de cada pessoa com quem vivi.
Sempre
tive os brinquedos de menino, carrinhos, bonecos e lembro que os carros eram os
meus brinquedos favoritos e que eu passava horas brincando. Então, não foi
influência dos brinquedinhos de criança.
Aos
7 anos, mais ou menos, tive uma experiência impactante para um menino... Fui
molestado por um homem que prestava serviços ao meu avô. Tinha medo dele, medo
de contar a minha mãe o que estava acontecendo por pensar que ele podia me
fazer algum mal. Creio que isso durou por 1 ano até eu resolver contar o que
acontecia comigo pra minha mãe, e isso foi um choque pra ela e pra mim, só que
tudo ficou em segredo para toda a família.
Cresci
acreditando que esse fato da minha infância “aflorou” em mim o meu lado
homossexual e eu comecei a me sentir atraído pelos meninos da escola nos meados
dos meus 13 anos. Só que no meu consciente, uma voz me dizia que isso era
errado e que homem foi feito para a mulher e então meus namoros com as meninas
começavam a surgir.
Todo
aquele namorinho de colégio era pra esconder quem realmente eu era mesmo com as
brincadeiras chatas dos meninos da sala. Essa minha vida durou por muito tempo
até que resolvi entrar de cabeça nas atividades do cristianismo. O meu primeiro
contato foi através da primeira comunhão, logo em seguida participei de grupos
católicos chamados “vocacionados”, onde eu iria guiar minha vida para o
celibato ou não. Fui também professor de catecismo para crianças e participei
do grupo de liturgia. Lembrando que tudo isso era no meio católico e que ali eu
me escondia do mundo “gay” e da minha aceitação.
Aos
16 anos (não lembro) conheci o protestantismo e resolvi seguir essa minha nova
religião e com mesmo intuito de esconder por trás da religião a minha
verdadeira sexualidade. Eu era como os meninos da minha idade, me divertia como
um garoto hétero, jogava futebol, brincadeiras do mundo deles e tudo.
Mesmo
me escondendo eu mantinha alguns contatos gays com “amigos” próximos, mas
sempre no final caia o arrependimento e me massacrava por conta do “pecado” que
eu cometia.
Então,
foi aí que começou o meu dilema; “Sou gay ou não?”, “Sou pecador?”. Passei por
coisas que me fizeram sofrer e só um especialista poderia me ajudar a “tratar”
esse meu lado gay. A dor, o choro e a solidão começaram a surgir e eu fiquei
sozinho por muito tempo...

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